Um pouco sobre Hinduísmo

Um pouco sobre Hinduísmo

Namaste

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Olhos bem característicos da arte hindu

Estima-se que há 1 bilhão de praticantes do hinduísmo, sendo 90% deles concentrado na Índia, Nepal e em Bali. É a terceira maior religião do mundo, ficando atrás somente do cristianismo e islamismo. No entanto, pouco se ouve falar no ocidente. Causa-nos estranheza.

Para os hindus, não existe distinção entre a vida cotidiana e religião, como ir à igreja, por exemplo. Faz parte das rotinas diárias, pois acreditam que os deuses estão em todas as coisas. Não tem fundador, código de fé ou dogma, nem fonte de autoridade (como o Vaticano). É mais um modo de vida de do que uma doutrina.

Apesar de exótico, representam 1/8 da população da Terra. Sri Ramakrishna, um santo hindu, disse haver tantas divindades quanto devotos. Catalogados, acreditam que o número seja de 300 milhões; extraoficialmente, 1 bilhão. Mas seriam as facetas de um único deus.

Faz bastante sentido. Nas religiões ocidentais o conceito de (o) Deus é comum, porém cada um interpreta ou sente esse deus à sua própria maneira (ou apelam para instâncias menores e especificas como santo disso ou santo daquilo); logo, existem diversas variações deste mesmo deus. Ainda mais, até os ateus tem suas próprias definições, mesmo negando a existência. Tem deus para todo mundo.

No hinduísmo, acredita-se que a morte não é o fim de tudo, apenas mais uma parte das transformações para cumprir seu Darma (propósito), e que o Carma é o peso positivo ou negativo que se acumula de acordo com as ações, até que se liberte do ciclo reencarnatório (Samsara).

Não é a Dharma de Lost.

Do ponto de vista político, foi a melhor forma encontrada para controlar e manter as classes sociais (castas) separadas e conformadas, evitando rebeliões. Se você nasce pobre é por algum motivo causado no ciclo anterior. Desejar ser rico acumula carma ruim, portanto deve-se aceitar sua situação com alegria e sem inveja, esperando pela próxima rodada. Funciona melhor que céu e inferno, que são mais definitivos, por assim dizer.

Hinduísmo e suas divindades

Algumas divindades são mais conhecidas e populares, como Brahma, Vishnu e Shiva (criação, preservação e destruição (no sentido de renovação)), respectivamente. Tem aquele com cabeça de elefante também, Ganesha, remove obstáculos e dá boa sorte para os que oram para ele.

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Há diversas divindades

Kali é uma outra deusa da destruição, personificada com quatro braços, sendo que uma das mãos segura uma cabeça decepada de Shiva (representando o ego humano), possui um colar de crânios e uma saia de ossos. É a mãe do tempo, que tudo destrói, fazendo sentido a ligação com o ego, pois todos morrem, independentemente do que tenham sido na vida.

Kali.

Uma coisa comum no hinduísmo é as divindades terem vários braços, o que é bem curioso. Pode ser uma representação dos diversos atributos do deus ou deusa. Ainda hoje, as crianças que nascem com membros a mais são reverenciadas e os pais hostilizados se tentarem corrigir o problema cirurgicamente (de novo o aceitar a condição do nascimento).

Criação dos mitos

Parece que não importa a cultura e o lugar, é uma tendência dos homo-sapiens criar mitos para explicar o que não sabem e para pedir ajuda em caso de necessidades. A ideia de um deus único apareceu bastante tempo depois da formação das primeiras cidades.

Os humanos caçadores-coletores, que habitaram a Terra por cerca de 60 mil anos, falavam diretamente com as coisas, plantas e animais. Acreditavam ser mais um entre tantos na natureza, não se achando superiores.

ganesha
Ganesha

Na impossibilidade do contato direto, começaram a criar versões estilizadas em madeira e pedra, sendo assim os primeiros deuses ou ídolos. Quando precisavam de algo, solicitavam ao objeto. Se o pedido se concretizasse (que era totalmente aleatório e sem relação causal com a prece), reforçava a crença e atraía mais seguidores; se não, é por causa dos erros e ações cometidas, não sendo merecedores do favor.

Mesmo estando geograficamente separados, cada grupo de humanos criou versões parecidas em torno dos mesmos eventos naturais: chuva, sol, frio, saúde, alimentos, fogo. Coisas que ão tinham controle, basicamente, sendo o conhecimento passado de geração para geração, misturado e enriquecido conforme a complexidade das comunidades aumentavam. Com o hinduísmo não foi diferente.

Assim nascem os mitos e deuses: da necessidade de explicações para eventos naturais, solicitação de ajuda em momentos de necessidade, como centro de consulta em casos de dilemas éticos, como referenciador de confiança entre desconhecidos que acreditavam nas mesmas crenças, de dar um significado para vida e amenizar o vazio causado pela morte (é mais reconfortante pensar que haverá algo melhor do outro lado ou que a vida continua).

Hoje em dia, quando temos problemas ou precisamos de alguma explicação, nos viramos para novas divindades como Siri, Cortana, Alexa e a moça do Google.


Bônus: Namaste

Namaste (em sânscrito: नमस्ते, [nʌmʌsˈteː]) é um cumprimento ou saudação com origem no sânscrito e significa “eu saúdo a você”. Namaskara é considerado uma forma ligeiramente mais formal, mas ambas as expressões revelam um grande sentimento de respeito. É utilizada principalmente na Índia e no Nepal por hindus, sikhs, jainistas e budistas.


Seja cortês e comente.

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