O que é a tecnologia 5G?

O que é a tecnologia 5G?

Provavelmente você já deve ter ouvido falar no termo 5G, internet 5G, tecnologia 5G, etc. Mas você sabe o que significa e qual impacto poderá ter em nossas vidas? Vejamos as vantagens, possibilidades, conflitos envolvendo o 5G e a situação do Brasil em relação ao assunto.

tecnologia 5G
Internet das coisas: tudo conectado

O que é a Tecnologia 5G?

O “G” vem de Geração (generation, do inglês) que designa o avanço nas redes de telefonia móvel. No Brasil estamos no 4G (quarta geração), mas alguns países, como Coreia do Sul, já está com o 5G em funcionamento.

A evolução se deu conforme as tecnologias avançaram e infraestrutura necessárias criadas. Ao ler este texto em seu smartphone, há uma vasta rede interconectada que transmite as informações numa velocidade absurda. Ainda assim, não são potentes o suficiente para ligar muitos aparelhos ao mesmo tempo.

As restrições se dão devido as frequências de transmissão envolvidas e a potência do sinal. Frequências mais altas carregam mais informações por segundo, porém tem uma menor penetração através de meios físicos (paredes, prédios ou qualquer ou barreira material). Desta forma, será necessário ter mais antenas para propagar os sinais e atingir todos os lugares. Essa infraestrutura custa caro e há várias outras questões envolvidas.

Antenas menores e com distribuição mais ramificada serão necessárias.

O quanto a tecnologia 5G é melhor do que a 4G?

Enquanto a tecnologia 1G tinha velocidade de 2kbit /s, o 3G 8Mb/s e o 4G atual em torno de 45Mb/s, o 5G terá velocidade para baixar informações de até 1Gbit/s (=1024Mb/s). Enquanto a latência (diferença entre emissão e recebimento de dados) é de 60-98 milissegundos no 4G, no 5G ela será reduzida para menos de 1 milissegundo. Velocidade muito maior e sem atraso (lag).

Pode pensar que 1Gb é pouco, que a rede de sua casa tem 200Gb, mas aqui não se trata de transmissão via cabo ou fibra ótica, nem do wi-fi do seu modem, mas sim dos dados móveis, via antenas. Velocidade entregue direto no seu aparelho. Isso faz toda diferença para interconectar elementos separados fisicamente! Como dito, o 4G do seu celular chega, no máximo, à meros 45Mb/s. Com a tecnologia 5G, será 20x mais rápido.

No entanto, para o funcionamento adequado, é preciso pelo menos uma faixa de frequência de 100 MHz de espectro livre, podendo chegar até 1GHz. O grande problema é que é praticamente impossível encontrar 100 MHz de espectro livre em frequências abaixo de 2,6 GHz — a mesma utilizada no 4G brasileiro, e que já é considerada alta. Com isso, frequências acima de 6 GHz deverão ser adotadas no 5G.

Trocando em miúdos, é necessária uma faixa que não esteja sendo usada por outros meios de comunicação, o que faz com que a implantação seja diferenciada em cada país. A abolição do sinal analógico das emissoras de TV aberta no Brasil veio da necessidade de abrir espaço para a telefonia móvel e internet. Como citado anteriormente, quanto maior a frequência, menor a capacidade de transpor barreiras.

Já a capacidade de conectar dispositivos poderá abranger até 1 milhão de aparelhos por quilômetro quadrado.

Algo interessante é que a tecnologia 5G também será melhor para os aparelhos que estiverem em movimento: a especificação promete funcionar em veículos rodando de 0 a 500 km/h, útil para manter a conexão em deslocamentos em rodovias e em trens de alta velocidade.

Quais são os benefícios do uso do 5G?

Permitirá mais dispositivos conectados, o que está se tornando necessário diante do crescimento da chamada “Internet das Coisas”. Já existem algumas casas inteligentes, onde todos os dispositivos e eletrodomésticos estão conectados em uma rede, podendo ser controlados remotamente, seguir instruções pré-definidas ou se ajustar dinamicamente. Com o 5G, mais aparelhos poderão estar ligados, sem necessidade de uma rede exclusiva.

Rodovias com carros e caminhões autônomos se tornarão uma realidade, reduzindo o número de acidentes, de engarrafamentos, tempo de deslocamento e gasto de combustível. Muito além disso, cidades inteiras poderão se tornar “inteligentes”, com serviços públicos integrados com os privados.

Aumentará a velocidade de conexão, permitindo o consumo de serviços mais complexos com menor dificuldade, como a transferência de arquivos, comunicações em tempo real, o consumo de vídeos e áudios (streaming) sem atraso ou interrupções ou os jogos eletrônicos.

Diminuíra a reposta da conexão (latência), melhorando e contribuindo para que os dispositivos móveis entreguem uma experiência mais fluida em aplicações em tempo real ou que demandam trocas de informação de forma rápida, como procedimentos cirúrgicos feitos à distância. A integração de vários dispositivos e serviços depende muito do tempo em que dados são trocados. Outro exemplo, é o uso de “wearables”, gadgets como relógios, pulseiras ou mesmo roupas que captem sinais vitais, enviando relatórios precisos sobre a condição de saúde de pacientes ou atletas. Mais além, implantes e chips no próprio corpo farão parte da rotina.

A tecnologia 5G não será apenas mais um upgrade de velocidade, como foi do 3G para o 4G, mas uma verdadeira revolução na forma como a sociedade se comportará nos próximos anos.

torre de antenas
Mais torres de antena?

Importância estratégica para os países e corporações

Com tantas informações circulando por aí, é vital que haja regras claras de proteção de dados e acessos indevidos. Um ataque de um hacker numa autoestrada com carros autônomos pode ser desastroso, assim como controlar processos em instalações industrias.

Dados de segurança nacional também estão em jogo. Quanto maior a integração e aparelhos interligados, maior a possibilidade de exploração de brechas e inserção de códigos maliciosos. Como qualquer outra ferramenta, a tecnologia 5G pode ser usada para o bem ou para mal.

Dado o potencial de reestruturação das interações sociais e econômicas, há uma corrida entre empresas de telecomunicação para oferecer seus serviços, tecnologia e implantação de equipamentos. É um mercado trilhonário, que vai bem além da área tecnológica, envolvendo politica e jogos de interesse pesados.

Um estudo feito pela consultoria Omdia, a pedido da Nokia, mostrou que a chegada do 5G pode adicionar US$ 1,2 trilhão ao PIB do Brasil entre 2021 e 2035. Os seis setores mais impactados são: tecnologia da informação e comunicações (US$ 241 bilhões), governo (US$ 189 bilhões), indústria (US$ 181 bilhões), serviços (US$ 152 bilhões), varejo (US$ 88 bilhões) e agricultura (US$ 76 bilhões). Quanto maior a demora na implantação, menor proveito das possibilidades.

Situação do Brasil em relação ao 5G

Em relação à outros países, o Brasil está atrasado, pois ainda não foram escolhidas quais empresas ficarão à cargo da implantação. O leilão está previsto para ocorrer no primeiro semestre de 2021, que trata basicamente da venda de faixa de frequências que as operadoras poderão utilizar. Devido as dimensões continentais do país e a disparidade econômica entre regiões, há o interesse do governo de balancear os mercados mais atraentes com os menores (condicionar a exploração de São Paulo com a região Norte, por exemplo), fazendo com que a implantação atenda toda a população.

Algumas operadoras já ofertam serviços ditos com 5G, com bandas múltiplas de frequências e velocidade acima média, porém ainda não se encaixam em todos os critérios técnicos definidos pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), que regula os termos, nem usam as faixas que serão leiloadas.

Outro ponto relevante é a forte pressão feita pelos EUA, União Européia e Japão para que o Brasil recuse a presença da gigante chinesa Huawei no leilão. A empresa já opera no país com o 4G. O motivo alegado é a integridades dos dados estratégicos de segurança nacional, que poderiam ser acessados e usados indevidamente pelo governo Chinês para obter vantagens econômicas.

A Huawei afirma que é uma empresa privada, já atuante no país e que os dados não serão usados para outros fins. Além disso, retardaria a implantação no Brasil, por que parte da infraestrutura que operadoras usam é proveniente dela, fazendo com mais recursos sejam gastos com substituição de equipamentos invés da expansão.

Além disso, com a Huawei fora, faz com que a oferta diminua, restringindo a concorrência, que podem oferecer valores menores ou condições piores no leilão.

Isso é um indicador claro do potencial revolucionário que a tecnologia 5G poderá trazer. A desculpa, embora plausível, é só uma forma de tentar barrar que a China estenda seus braços para outros mercados. O problema, além de aspectos técnicos e de valores envolvidos, é que pode afetar outros segmentos da politica econômica, como suspensão de importações de outros produtos e sobretaxa nos exportados. Isso vale para os dois lados: tanto os EUA (lado ocidental) quanto a China podem impor sansões ao Brasil em retaliação às escolhas tomadas. Situação bem delicada de se lidar.

Por outro lado, há o apelo das operadoras interessadas de que o Brasil não aproveite o leilão para gerar caixa, ou seja, cobrar valores adiantados para serem usados em outras áreas, deixando as empresas com menos capital para fazerem os investimentos em infraestrutura necessários. Isso atrasaria a implantação. A justificativa é que quanto mais rápido o sistema funcionar, maior será a geração de impostos através de novos serviços e redução de custos em toda a cadeia produtiva e da máquina estatal.

Há algum perigo com o uso do 5G?

Existe alguma especulação em torno de efeitos nocivos à saúde devido à exposição mais intensa à frequências mais altas, mas a tecnologia 5G é tão segura como a que estamos acostumados hoje. De uma forma ou de outra, pelo menos nos grandes centros, as emanações eletromagnéticas de máquinas, fios em postes, transformadores, sinais de rádio, TV e celular estão por todo lugar e não há pessoas doentes por causa disso. O temor é que poderia ocasionar quebra de cadeias de DNA, causando câncer ou outras doenças genéticas. Até onde se sabe, o risco é nulo.

No entanto, o problema pode vir de outra forma: a super dependência humana de conexão com a rede. Com tudo interligado e serviços exclusivos on line, falhas na infraestrutura, humanas ou ataques deliberados pode fazer com que vários setores sejam comprometidos em um efeito dominó. Mais além, com a inteligência artificial e computação quântica avançando em passos largos, cada vez mais as pessoas deixarão que softwares tomem decisões por elas, fazendo escolhas dos mais variados tipos. Na falta do serviço, alguns ficarão literalmente sem saber o que fazer.

Além disso, há grande preocupação com a privacidade e dados pessoais. Com tudo ligado, ficar incógnito será muito difícil. Locais que frequenta, gastos com produtos, serviços que acessa, livros que lê, filmes que assiste, enfim, todas essa massa de informações pode e será usada por outras empresas que coletam as informações para oferecer experiencias customizadas e que serão irresistíveis de negar o consumo. O risco de manipulação é enorme, como já acontece hoje, mas será em maior escala.

Por fim, como todos os avanços na ciência, é difícil prever quais desdobramentos a tecnologia 5G acarretará na sociedade.

Infelizmente, ainda é uma realidade distante para os brasileiros. Enquanto espera, aproveite para comentar.

Fontes: Agência Brasil, Infomoney, Tecnoblog.

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