Monte Santo foto #1

Monte Santo foto #1

Uma imagem vale por mil palavras? Quais seriam essas palavras?

Certas imagens ou fotografias são tão inusitadas e ricas de conteúdo, que os significados que podem ser dados são muitos. Criativos, factuais ou deliberadamente falsos. Depende do contexto que estão inseridas, da intenção de que publica e da capacidade de interpretação e suscetibilidade de que vê. Hoje mostro uma de Monte Santo, BA.

Farei exercícios narrativos envolvendo algumas fotos que acho interessantes. A primeira é essa:

Monte Santo
Algum dia no fim de dezembro de 1996, Monte Santo, BA.
Fake?
Para quem não sabe, nem tudo que está na internet é verdade. Algumas coisas são fakenews, acreditam?

As três meninas desaparecidas.

Viajando sem rumo Brasil a fora, precisei parar para abastecer o carro. Era um lugar miserável, não havia nada por perto. O combustível, de procedência duvidosa, foi vendido a preço de ouro e colocado com no carro com garrafas, pois não havia outro método. Precisava apenas o suficiente para chegar até Monte Santo, BA.

Como era um lugar isolado, com habitantes curiosos pelos visitante estranho, resolvi pedir para tirarem uma foto, ostentando toda minha magreza de vintolescente, registrando o encontro raro.

O que foi estranho, é que depois de revelada a foto, percebi que havia algo errado. Apareceram três meninas que não estavam lá naquele momento!!! Isso me deu um frio na barriga.

Fui pesquisar e soube que o lugar era assombrado por três crianças que haviam desaparecido misteriosamente. Os moradores se recusavam a falar sobre o assunto, ou por medo ou por um conluio por todos terem participado do evento do sumiço, não sei dizer ao certo. Em Monte Santo caiu um meteorito, chamado de Bendegó. Talvez tenha afetado o lugar.

A mãe as havia abandonado, e a criação foi compartilhada pelas pessoas de lá. Em certo momento, as meninas começaram a se comportar de maneiras estranhas, falando coisas desconexas, dançando e se debatendo de maneira antinatural. Na foto da para ver o comportamento estranho e incompatíveis com o lugar.


Isso causava pânico entre os moradores. As mulheres ficaram inférteis por um período, não havia mais nenhuma gravidez, nem crianças. Além disso, as entregas de suprimentos ficaram comprometidas pois ninguém de fora queria ir naquele lugar de má fama.

Em certo momento, as três meninas sumiram, sem deixar rastro. As poucas coisas que possuíam ficaram para trás. A policia foi acionada relutantemente, devido os boatos espalhados do desaparecimento súbito, mas não acham nenhuma pista, nenhuma testemunha, nada. Os moradores não abriram a boca.

O mistério das três meninas nunca foi solucionado. Uns acham que os moradores se juntaram e deram um fim para aquelas existências malditas; outros que elas decidiram deixar o local para atormentar a mãe, que anos depois, cometeu suicídio. Certas coisas é melhor não serem contadas.

Moira, a deusa do destino.

Numa das minhas andanças em busca de conhecimento e iluminação, fui parar em um vilarejo no sertão baiano, subdistrito de Monte Santo. Estava seguindo um xamã por entre longos espaços vazios, pontilhados com pequenos assentamos de pessoas. Era um lugar de poder, como costumavam dizer.

Diz-se por lá que, de tempos em tempos, a manifestação da Moira – deusa do destino – se fazia presente no local. A palavra significa “quinhão” e representa o mais velho poder do universo, determinando até a capacidade e habilidades de outros deuses.

Numa foto rara, conseguimos captar sua aparição.

Monte Santo Moira
A manifestação do poder!

No evento, mostrou sua forma como as três irmãs, ou três parcas : Cloto, Átropos e Láquesis, como denominaram os gregos.

  • Cloto é a fiandeira que produz os fios do destino mortal.
  • Átropos é a cortadora, que cortava o fio do destino que colocava fim à vida mortal.
  • Láquesis é a medidora, que decide a qualidade e extensão da vida mortal.
Moira ou parcas
Moira ou as três parcas.

Os moradores faziam oferendas e cantavam hinos para receber bençãos e para evitar que as parcas fizessem algum mal. Dançavam ao redor do meteorito de Bendegó.

Pedi que intercedessem por mim, me concedendo inteligência, saúde e vida longa. Aparentemente, não me entenderam ou se irritaram com o escárnio e desdem da minha postura. Nunca mais apareceram por lá e estou, por assim dizer, proibido de retornar ao lugar.

Crianças humildes.

A verdade é mais simples, mas não menos divertida para mim.

Viajava com mais dois amigos para a cidade de Monte Santo, Bahia, onde eles tinham parentes. Uma das famílias morava em um lugar muito afastado de tudo e, como não tínhamos muita noção da distância, acabamos ficando sem combustível. A única forma era abastecer com um pouco de gasolina que guardavam e tambores.

Resolvi pedir para tirar uma foto porque foi bem inusitado. As pessoas simples quase nunca recebiam visitas, principalmente de São Paulo e com um carrão (o kadett conversível de um dos meus amigos era bacana em 1996/97), estavam alvoroçadas. Nisso as crianças se ajuntaram e fizeram poses para a foto. Cada um com um estilo diferente. Poses de modelo mesmo.

Passamos o ano novo em Monte Santo. Foi bem divertido e instrutivo. Ali é um Brasil que não conhecia nem pela TV, cujas dificuldades e falta de recursos são notórias, crônicas e, de certa forma, aceita pelas pessoas. É o que é, e há pouco que possam fazer para mudar a cultura, a não ser sair de lá.


A trilha sonora da viagem foi heavy metal e uma música marcou a época na minha lembrança. The bard song – in the forest, da banda alemã Blind Guardian. É bonita. De certa forma, a letra combinou com a experiência.



Quais os nomes dessas crianças? Como estariam hoje? Morando ainda em Monte Santo? Mais perguntas para a lista de coisas que jamais saberei.

E você, tem alguma foto com histórias bacanas?

1 thought on “Monte Santo foto #1

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      1996 tinha 5 anos !! Talvez estás crianças eram até de mais idade que eu rsrsrsrs… Histórias de infância e acoslecencia sempre levaremos para o resto da nossa vida.

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