Hermes e a Mitologia grega.

Hermes e a Mitologia grega.

hermes mitologia grega
Hermes, no canto superior direito, de chapeuzinho

A origem do nome Hermes

Hermes é o nome de um Deus da mitologia Grega, que passou a ser chamado depois de Mércurio, quando o império romano era dominante na antiguidade. No entanto, há equivalentes em outras culturas com Thoth no Egito (senhor das palavras sagradas) e Loki na mitologia Nórdica. Coyote é a versão norte-americana, enquanto Raven era para os esquimós. Um deus nessas épocas representava as explicações desconhecidas para eventos do cotidiano e para os quais rezavam de acordo com o problema.

pé de Hermes
Ruim para por meia.

A função mais difundida de Hermes é de ser o mensageiro dos deuses, veloz e com asas nos pés. Mas a origem e significado são diferentes e mais interessantes. A raiz do nome significa ‘aquele do marco de pedras’, que no contexto da época se referia à lugares específicos que os viajantes poderiam parar e conversar, e depois para as rotas de ligação entre reinos e vilarejos, por onde comerciantes levavam, traziam, trocavam, vendiam seus produtos.

E onde tem comércio… tem dinheiro, consequentemente, ladrões (não do assalto violento, mas do furto, da astúcia e da enganação). Assim, Hermes é conhecido como o deus dos comerciantes e dos ladrões, podendo parecer ambíguo, mas não é, pois os dois são ligados por outras características associadas ao deus: a mentira e a esperteza.

Nascimento de um deus

Hermes nasceu da relação entre Zeus, que era casado com Hera, e a ninfa Maia. A esposa nunca soube desta traição, então a história já começa com uma trapaça antes mesmo do bebê nascer. Zeus pegava todas.

O mito diz que o local de nascimento foi numa caverna no Monte Cilene, na região da Arcádia. Logo depois de nascer, o deus sentiu-se entediado e inquieto, ansioso para encontrar coisas para fazer além de ficar deitado como um nenê normal faria. Saiu de seu berço e na porta da casa encontrou uma tartaruga. “Você é bonita demais, mas posso fazer coisas mais interessantes do que apenas olha-la”. Hermes fez um acordo com a tartaruga e, com o casco, construiu a primeira Lira (tipo de arpa). Fez por impulso criativo, o criar por criar; ágil, habilidoso e engenhoso.

lira de hermes
Representação da lira de Hermes.

Brincou um pouco com a Lira , mas logo ficou entediado e foi procurar outra coisa para fazer. Hermes não tem paciência.

Sentiu fome e se deparou com o rebanho de gado do irmão mais velho, Apolo. O mito conta que ele conduziu os animais para longe do pasto de marcha ré, para enganar quem tentasse rastrear as pegadas. Fez para si sandálias que cobriam os próprios passos. Matou duas vacas para comer, fazendo fogo esfregando dois gravetos (coisa que ninguém tinha feito antes).

Dividiu em doze partes e fez oferenda para os deuses do Olimpo, num ato de aceitação e comprometimento com seus pares. Como mímico, pode ter aspectos de todos ou de nenhum, conforme sua necessidade. Outro aspecto relativo à essa parte, é que, com o tempo, roubou ou escondeu coisas dos outros deuses, como os raios de Zeus, o capacete de Atenas e o cinto de Afrodite. Isso reforça o caráter mutável de sua personalidade: cada dia por ser uma coisa diferente; não se sabe se está indo ou vindo ou o que deseja no momento.

O pequeno Hermes transformou-se em fumaça (ar), passou pelo buraco da fechadura e voltou a dormir no seu berço, agarrado à sua lira, como um inocente bebê. A mãe viu a cena mas não deixou-se enganar pela farsa. Reclamando disse: “quando seu pai te gerou, causou problemas para os mortais e deuses imortais”.

Retorquiu dizendo que era injusto morarem numa caverna, enquanto os outros deuses moravam em palácios. Queria que o culto à ele tivesse o mesmo valor que seu irmão mais velho Apolo. Na Atenas do século 5 A.C, Apolo representava a aristocracia, enquanto Hermes era associado aos mercadores (os novos ricos) que gerava conflitos entre as classes.

Confrontação com Apolo:

Quando Apolo descobriu o roubo do gado, foi questionar o irmão recém nascido, que respondeu cinicamente:

Ora, Apolo, qual a razão para essa linguagem rude? Nunca cheguei a ver seu gado. Será que me pareço com um pecuarista? Só tenho dois dias de idade; meus pés são macios, e o chão, áspero. Quem acreditaria que poderia roubar vacas? Essa é a primeira vez que ouço falar delas!

Apolo furioso disse:

Seu mentiroso deslavado! Você fala como um gatuno experiente. Salte de seu berço, companheiro da noite sombria, pois está será sua glória entre os deuses imortais: será o príncipe dos ladrões por toda a eternidade!

Apolo levou o bebê a força até a presença de Zeus, com a esperança de que seu pai desse um jeito na criança, reavendo seu rebanho. No caminho, Hermes soltou gases ruidosos chamados, poeticamente, de “mensageiros malignos do estômago”, e seguiu fazendo caretas e estripulias pelo caminho.

Primeira conversa com Zeus

Na presença de Zeus, Hermes negou a acusação de Apolo dizendo coisas como ‘pai, sou apenas um bebê de dois dias de idade, como poderia fazer tais coisas?’, ‘meu irmão me acusa injustamente’, ‘ele é grande e forte; eu pequeno e fraco’, ‘pai querido, você deve defender a causa dos fracos e indefesos’.

Apolo ficou furioso e Zeus achou graça nas mentiras, mas pediu fizessem as pazes e que o gado fosse devolvido, o que foi feito, sem que antes Hermes aprontasse mais uma, transformando as patas dos bois em raízes.

Neste meio tempo, Hermes tocava sua Lira e Apolo ficou encantado com o som: “Isso que você tem vale 50 rebanhos! Ensine-me o segredo de seu instrumento, que lhe concederei uma posição de destaque entre os deuses.”

Em resposta, Hermes disse ” Não sou egoísta, seria um prazer ensina-lo. Em troca, desejo que compartilhe o domínio sobre o gado”. Assim é o Hermes mitológico, desapegado, mas negociante, o que faz trocas e acordos por benefícios futuros. Apolo, não convencido, solicitou um juramento solene e foi atendido, e o pestinha tornou-se o patrono dos juramentos e garantias de negócios. Bem ambíguo.

Ajuda para todos

Hermes não é um bandido, mas o deus das ações furtivas. Zeus costumava usa-lo para resgatar pessoas em perigo. Ares foi capturado por dois gigantes e aprisionado em jarro; Dionísio atormentado por Hera e os Titãs; Persófone cativa de Hades no submundo. Todos resgatados pela astúcia de Hermes.

Há outra história interessante, de como Hermes ajudou Hércules a se tornar imortal.

Hércules era filho de Zeus (está em todas) com Semele, uma mortal. Precisaria de leite materno divino para se tornar imortal. Hermes Induziu Hera a dar de mamar para bebê Hercules, eloginado seus belos peitos. Quando ela descobriu quem era a criança, imediatamente recolheu a mama, mas já havia sido o suficiente. Um jorro de leite saiu no ar pelo movimento, o qual os antigos atribuíram a criação da Via Láctea.

Assim, Hermes ajudou elevar mortais aos céus e foi responsável pela criação das estrelas, que guiam os viajantes.

O mensageiro dos deuses

Quanto a parte de ser mensageiro é que gostava de conversar, aprender coisas novas, no céu com os deuses, na terra com os humanos e com os demônios no submundo. Sabia a palavra impronunciável que dava acesso ao inferno. Atribui-se à ele também, o cargo de levar os espíritos dos mortos para o barqueiro Caronte. Diz-se que foi o criador do alfabeto, para traduzir melhor as ideias abstratas dos deuses e transmiti-las para outros seres. Tinha trânsito livre para ir e fazer o que bem entendesse.

Sobre a escrita, estudos arqueológicos sugerem que ela surgiu em torno 5000 anos atrás, 7000 anos depois da revolução agricultural (assentamentos humanos para plantar e domesticar animais). A necessidade surgiu devido ao fato que, com aglomerações de pessoas, ficava impossível controlar de cabeça os recursos, áreas e trocas de produtos. Precisavam de um um meio externo para registro. Precisaram inventar planilhas! Planilhas de barro, sendo os primeiros PCPs da história. (Programação e controle de produção).


Hermes tendo o que merece. Não recomendado para os fracos.

Fonte: boa parte das informações deste post vieram do livro “os planetas interiores” da autora Liz Greene e Howard Sasportas, dois dos melhores escritores sobre astrologia na minha opinião. Livro de nicho, não é para qualquer um.


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