10 Brasileiros

10 Brasileiros

Devaneio: 10 brasileiros. Me pergunto, com frequência cada vez maior, se não há pelo menos 10 brasileiros, entre os mais de 212 milhões de habitantes [1], que sejam suficientemente aptos para governar o Brasil. 10 lideranças positivas, 10 indivíduos com a motivação suficiente para mudar a história. Pelo menos 10 pessoas decentes, para que possamos eleger uma.

Realidade: 11 de abril de 2021. Pior fase do Covid. Semestre perdido. Eleição para presidente ocorre no próximo ano, com o cenário aterrador da falta de opções e abjeta polarização midiática entre Bolsonaro e Lula.

Este texto, diferente dos outros, reflete a minha opinião e pontos de vista no momento, juntamente com os fragmentos de informações que tenho, para tentar uma compôr um cenário factível. Política não é meu forte, nem um dos assuntos de meu interesse, mas quero escrever o que penso. Mesmo que seja lido apenas pelos meus olhos.

Importante 1: deixo claro que não sou de esquerda, direita ou centro, muito pelo contrário. Justifiquei meus votos nos últimos 20 anos por não encontrar ninguém que os merecesse.

Importante 2: me refiro à “brasileiros” como coletivo de pessoas do Brasil, incluindo homens, mulheres e outros.

10 brasileiros
10 é muito?

Temos liberdade para escolher quem representa a sociedade?

Costumamos, ou estamos condicionados pela repetição, pensar que vivemos em uma democracia, que a opinião e vontade da maioria da população é o que prevalece. Temos a plena liberdade de escolher quem governará o país, aquele que, teoricamente, deveria agir em prol dos interesses coletivos. Mas pense, quem escolhe os candidatos que concorrem nas eleições? Você? Eu? Não. Salvo uma minoria, não nos é dada essa opção.

Partidos e outros grupos de poder discutem entre si, analisam os perfis mais adequados aos seus interesses e, no fim, nos apresentam uma lista de nomes que, obrigatoriamente, devemos escolher ou, no máximo, recusar. “Ah, mas qualquer um pode se candidatar”, podem retrucar. Claro, vai lá tentar, tu, cidadão ordinário.

O problema, subproduto da própria autodeclarada liberdade, é que é, muito além das capacidades intrapessoais dos candidatos, o que pesa mais são as conexões que eles possuem. Aqueles que engrossam o caldo. Aqueles que dão apoio agora em troca de algo no futuro. Não deveria ser assim. O sistema está errado.

Então, respondendo a pergunta inicial, na prática, o que temos é uma lista restrita com alguns nomes sobre os quais não temos nenhum controle. A parte mais tenebrosa disso é que as opções são tão pobres, que ficamos com dilema de escolher entre o pior dos males. O menos rejeitado vence.

Precisamos urgente de boas opções. Escolher o melhor entre os melhores, não o menos pior.

Os candidatos representam a sociedade?

Há um consenso de que todos os políticos são corruptos ou corruptíveis. Será que só os que têm essa propensão são aptos para serem políticos? A maleabilidade e capacidade de fazer acordos passa obrigatoriamente pelo ilícito? Há como ser político sem sujar as mãos?

Claro, essa é uma área cinzenta, pois não dá para agradar todos, e decisões precisam ser tomadas pensando no bem maior. Alguma coisa precisa ser preterida em prol de outra. Administrar um cobertor curto.

Uma forma de pensar é: políticos são corruptíveis por que o poder corrompe, sendo intrínseco da natureza humana. Quem escolhe ser político tem a predisposição, desejo e a “bússola moral” adequada para a tarefa. Isso explicaria a alta concentração de maus elementos em todos níveis da administração do Estado.

Outra, é que a estrutura é historicamente podre, desde da época do Brasil colônia. Um legado cultural perverso que é passado de geração para geração. Quem se opõe é expurgado, ameaçado, chantageado ou, eventualmente, vira um mártir. As leis dão suporte, como os absurdos benefícios que os parlamentares recebem. Tornam o imoral e antiético legal. Legislam em causa própria. E a mea culpa pronta: “É errado? Sim, mas a lei permite, então… estou no meu direito”.

Pergunte-se do porquê tantas pessoas se inscrevem em concursos públicos. Cargo público é sinônimo de mamata. É cultural.

Por fim, e mais duro de aceitar, é que os políticos são estatisticamente uma amostra da sociedade. Dado um grupo aleatório de brasileiros, há a chance de que uma parte proporcional seja corrupta ou corruptível. A ocasião faz o ladrão. Jeitinho brasileiro e lei de Gerson me vem à mente. A criatividade, esperteza, adaptabilidade e aproveitamento de oportunidades são nossas marcas registradas. Nossos eufemismos.

Não? Todos são trabalhadores honestos e se esforçam para ganhar a vida até… até que uma carga de caminhão tombe, que um ponto de TV à cabo ou acesso ao streaming possa ser compartilhado; um gato na luz, levar uns blocos da construção… desviar itens de doação em desastres naturais, ou escolher os melhores para si, deixando as sobras para os miseráveis; mudar o preço da gasolina imediatamente após um aumento e esperar o estoque acabar para diminuir o valor; superfaturar produtos essenciais em caso de escassez, como oxigênio e kits de intubação; fingir aplicar vacinas nos idosos para usa-las em parentes ou revende-las…

Quem são essas pessoas sem coração e desonestas? Seus vizinhos. Parentes, colegas de trabalho, amigos. Talvez nós mesmos. São pessoas normais que, quando expostas às tentações de algo fácil, se aproveitam. Não me refiro à criminosos e bandidos declarados. Não, estes são menos hipócritas.

Respondendo a pergunta, sim, os candidatos parecem representar o brasileiro médio. No entanto…

Brasil
Brasil para russo ver

10 Brasileiros

10 é número é aleatório, servindo como símbolo da ideia. 10 Brasileiros com boas intenções, capazes e honestos o suficiente para governar o país. Será que entre mais de 212 milhões de pessoas não há pelo 10 Brasileiros que se enquadrem no perfil? 10 bons candidatos para a população escolher? Seria pedir demais? E se existem, onde estão?

Há um ano e meio da próxima eleição presidencial, não existe uma liderança ou corrente que se encaixe no perfil adequado. O centro da disputa parece caminhar para Bolsonaristas x Lulistas. É isso que o Brasil se reduziu? Vamos perder mais 4 anos?

CADÊ 10 BRASILEIROS LÚCIDOS? 10 BRASILEIROS APTOS? 10 BRASILEIROS CORAJOSOS? 10 BRASILEIROS PATRIOTAS (de verdade)? 10 BOAS OPÇÕES PARA EVITAR DA POPULAÇÃO ESCOLHER ERRADO? Não um santo, salvador da pátria ou um perfeito imaculado. Só “10 bons candidatos” já estaria ótimo.

Não me levem a mal mas, do jeito que está, não dá certo. Vamos morrer abraçados na ideia de que a democracia funciona? Que a constituição é sagrada o suficiente para que não possa ser se quer questionada? Querem que as lei transformem a sociedade. Primeiro precisamos de educação, depois punição. Se um povo é civilizado, leis se tornam meros acessórios.

É necessário um processo seletivo tão ou mais rígido do que aqueles aplicados em empresas privadas. Até os concursos para cargos públicos básicos exigem mais pré-requisitos do que para candidatos em eleições. “Viva a democracia! Qualquer um pode ser representante do povo!”. Pode, mas não deveria.

“Ah Hermes, mas quem definiria os critérios? Não restringiria as opções, afunilando em determinado seguimento social?” Se quer isenção, submeta a questão para grupos internacionais. Se não confiamos nos nossos para isso, que seja feito fora. Não importa. Sem orgulho. Importante é funcionar.

Por que a questão é relevante agora?

Como citado no começo, a polarização Bolsanaro x Lula é iminente e perigosa. De um lado, o inepto fanfarrão; do outro, o ainda réu, lobo na pele de cordeiro. A mídia está doida para apoiar quem quer que seja capaz de tirar o Messias do poder. Se for o Lula, que seja… não se importam.

O corte das verbas para propaganda estatal nas emissoras e jornais e o fim da lei Rouanet foram motivados apenas por birra e pirraça. Uma vingança do Jair contra os detratores. Agora, o jogo pode virar, e não será para o bem do país.

Vejamos as opções:

Bolsonaro: é um meme ambulante. Cada fala precisa ser refeita para consertar equívocos, gafes ou bobagens. Usa a informalidade dos botecos nos discursos como arma populista ou para receber afagos de fanáticos, sem noção das consequências. Foi alçado à candidatura por gozação, pelo estupor, ultraje e riso que suas falas preconceituosas causavam. Por fim, ficou como a opção de impedir o corrupto PT de continuar no poder. Um mal menor para evitar algo pior, na visão tacanha de quem o elegeu.

Lula: a corrupção durante seus mandatos é inegável. Muitas pessoas próximas à ele foram presas. Deu migalhas aos pobres, enquanto seus comparsas roubavam aos montes. Considerando isso, ou Lula é muito ingênuo e não sabia de nada do que acontecia, sendo um tapado; ou ele sabia e fazia vista grossa, sendo omisso; ou ele sabia e participava, sendo um ladrão corrupto. Em qualquer um destes cenários, não serve para governar um país, ou, o quer que seja.

Doria: confesso que nas primeiras semanas dele como prefeito, notei uma mudança na cidade de São Paulo: ruas mais limpas, praças bem cuidadas, mais polícia nas ruas. Ótimo, um gestor. Mas foi só encenação. Logo a canastrice dele expôs seu lado hipócrita e falso. Não é confiável. Largou a prefeitura para ser governador. Largará o governo para tentar ser presidente. E depois, vai largar a presidência para ser o que? Doria ter adotado o bolsonarismo durante as eleições para governador foi ridículo, e mostra o quanto é oportunista e sem caráter.

Ciro Gomes: não sei se será candidato. A essa altura do campeonato, já deveria ter caído a ficha de que não tem chance. É inteligente, tem experiência na coisa pública, não há nenhum caso grave de corrupção ligado ao nome dele porém, a pecha de coronel de fazenda o macula. Explosivo e temperamental, não tem popularidade no sul/sudeste, mesmo apostando na forçada imagem de “paz e amor”. Além disso, suas alianças são muito voláteis, e se associa com (quase) qualquer um para obter alguma vantagem política. Alta taxa de rejeição.

Marina Silva: aparentemente não é corrupta e mantém uma postural ideológica coerente. Parece ter boas intenções, mas o viés forte de esquerda a torna não atraente para o mercado e investidores. Não tem uma base forte e sólida de aliados, justamente pela sua coerência, tornando o governabilidade difícil.

Boulos: esquerdopata sem papas na língua. Agressivo e agitador. Quase ganhou a prefeitura de São Paulo com o voto de protesto. Parece sempre estar com raiva e pronto para briga. Como esse ódio todo seria canalizado para o bem do Brasil? Além disso, a fase pós Covid deve ser de reconstrução e não de revolução.

Luciano Huck: flerta com a ideia de ser candidato. É uma cara conhecida pelos brasileiros das classes mais baixas e teria o apoio da Globo. Vacila por temer ter a vida privada dissecada e a exposição da família. A rede de amizades é questionável, como Aécio Neves. Alegadamente, usou dinheiro público para financiar um avião particular (via BNDES). Experiência zero com administração pública. Um aventureiro com ideias de grandeza que não transmite seriedade.

João Amoêdo: poderia fazer parte da lista dos 10 brasileiros que me refiro. No entanto, apesar de ser engenheiro, empresário e banqueiro, não teve influência ou capacidade suficiente para aglutinar pessoas e aliados. O partido NOVO é irrelevante (apesar de ter levado o governo de Minas Gerais). Pouco conhecido pelos brasileiros, ainda mais pelos pobres. Precisa de muito marketing para torna-lo atraente como candidato. Sem verba partidária, é pouco provável que invista do próprio bolso na campanha.

Sérgio Moro: o “super juiz” gozou de ótima popularidade enquanto conduzia a lava-jato. No entanto, conduzir como conduziu não era atribuição dele. A prisão do Lula foi forçada (embora moralmente justa) e favoreceu diretamente o Bolsonaro na época. Ter aceitado de imediato o cargo de ministro da justiça foi um grande erro, e mostrou o quanto ele foi imparcial. As rusgas, com a consequente saída do governo, fariam dele um bom candidato para a oposição. No entanto, com o cancelamento da pena do Lula, sofreu um golpe duplo.

Joaquim Barbosa: o ex-presidente do STF, tem uma boa reputação entre a população, e tido como pessoa inteligente e moralmente bem orientada. Não é candidato, mas articula uma oposição para tirar o Bolsonaro do poder (o que em si já é louvável). Seria um nome interessante, embora não tenha experiência no executivo. Conhece as leis e os trâmites legais, sabendo como a coisa funciona por dentro. Dito isso, não sei se ele teria estômago para enfrentar o que o espera. O ser o “Primeiro presidente negro do Brasil” daria um bom impulso na campanha (sonho dos marqueteiros).

joaquim barbosa
Será que é um dos mocinhos?

Depois, tem os nomes de menor importância ou irrelevantes. Vi uma manchete de que o humorista Danilo Gentili se reuniria com MBL. Piada perigosa.

Pode ser que tenham outros nomes e outras alianças que eu desconheça. Como disse no início, política não é um dos meus assuntos favoritos. De qualquer forma, são os principais. Essas pessoas são os potenciais presidentes para iniciar o mandato em 2023. Alguma delas te agrada? A mim, não.

Conclusão:

Os 10 brasileiros que me referi no decorrer do texto não estão na lista dos presidenciáveis. Onde estão as pessoas boas, capazes, honestas e experientes que possam ressuscitar reerguer o país? Pessoas que possam colocar o Brasil no rumo do desenvolvimento sustentável, que tenham como meta EDUCAR uma geração (não apenas ensinar a ler e escrever, mas formar cidadãos). Pessoas que quebrem a roda do ciclo vicioso de corrupção.

10 brasileiros. 10. Será que não temos nem isso? Será que o que temos de melhor é… isso aí? O que somos? O que merecemos?

Se tem algum voluntário, que se apresente logo pois, daqui à pouco, já é ano que vem e não haverá tempo hábil para nada.


Podem discordar da minha visão romântica e utópica do que seria um bom candidato. Entretanto, vale a pena refletir sobre o que somos como sociedade e nossa parcela de culpa nessa bagunça toda.

Fonte: [1] IBGE

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